ORIENTAÇÕES NA ÁREA DA SAÚDE MENTAL

LIDAR COM A PANDEMIA DO NOVO CORONAVÍRUS COVID-19

  • Durante uma crise é normal que possa sentir-se triste, ansioso, confuso, assustado ou zangado. Falar com pessoas em quem confia pode ajudar.
  • Contacte os seus amigos e familiares, preferencialmente por via telefónica.
  • Se tiver que ficar em casa, mantenha um estilo de vida saudável – uma dieta adequada, períodos de sono e descanso, exercício físico e contactos sociais, dentro de casa, com as pessoas mais próximas, assim como contactos por email e telefone com outros amigos e familiares.
  •  Evite fumar, consumir álcool ou outras drogas na tentativa de lidar com as suas emoções.
  • Se se sentir muito angustiado ou perturbado, fale com um profissional de saúde, ligue para a sua Unidade de Saúde e procure falar com o seu Médico de Família e/ou Enfermeiro do seu Núcleo de Saúde Familiar
  • Tenha uma visão crítica relativamente às informações que encontra e que não são disponibilizadas por instituições oficiais. Procure consultar fontes de informação fiável em que possa confiar. Opte por informação divulgada por instituições como: Serviço Nacional de Saúde, Direção-Geral da Saúde ou Direção Regional de Saúde.
  • Em caso de dúvidas médicas sobre o COVID-19 contacte a linha telefónica 808 24 60 24. Em caso de dúvidas não médicas ligue 808 29 29 29
  • Limite as suas preocupações e as da sua família, diminuindo o tempo durante o qual está a ver ou a ouvir notícias que considere perturbadoras.
  • Recorra a capacidades e competências que já o/a ajudaram no passado a lidar com situações adversas. Use-as para lidar com as suas emoções nos momentos mais desafiantes deste surto

Fonte: World Health Organization (Tradução: Ordem dos Psicólogos Portugueses). Adaptação: Comissão Regional de Acompanhamento e Avaliação dos Serviços de Saúde Mental (CRAASSM).





  • Mantenha-se informado e compreenda o risco
    • A cobertura mediática pode criar a impressão de que existe um perigo e um risco maior do que aquele que realmente existe. Procure estar atualizado sobre o que se passa, mas limite a sua exposição a notícias. Escolha fontes de informação de instituições oficiais e consulte-as uma a duas vezes por dia. Não tenha medo de saber e fazer perguntas sobre a doença, o seu diagnóstico e o tratamento a profissionais de Saúde.
  • Peça ajuda
    • Assegure-se que pede ajuda e fala sobre o que precisa para se sentir seguro e confortável – medicamentos, compras, produtos de higiene pessoal ou meios de comunicação.
  • Redobre o seu cuidado e tome rigorosamente a medicação que lhe foi prescrita para a sua situação de saúde
  • Esteja atento a sintomas de doença
    • Mesmo sintomas habituais, podem ter, nesta situação, um significado diferente. Em caso de dúvida ou alterações às condições de saúde habituais, ligue 808 24 60 24 ou ligue para o seu Médico de Família.
  • Mantenha o contacto com familiares e amigos, preferencialmente por via telefónica.
  • Disponibilize-se para aprender e adaptar-se a utilizar meios de comunicação e tecnologias
  • Realize atividades de que gosta e relaxe
    • Mantenha as suas rotinas e atividades habituais, dentro do possível.
    • Faça exercício físico (caminhe pela casa, levante-se várias vezes ao dia, realize exercícios simples) e tenha alimentação equilibrada.
  • Mantenha-se esperançoso e confiante de que tudo vai correr bem.
  • Lembre-se
    • O isolamento contribui para que o vírus não se propague.
    • O período de isolamento não irá durar para sempre, são alguns dias.
    • Tal como lidou com outras situações difíceis no passado, também será capaz de lidar com esta.
    • Utilize os meios que tiver ao seu dispor para manter contactos sociais com familiares e amigos.
  • Tente manter as suas rotinas habituais e uma atitude positiva.

Fonte: World Health Organization (Tradução: Ordem dos Psicólogos Portugueses). Adaptação: Comissão Regional de Acompanhamento e Avaliação dos Serviços de Saúde Mental (CRAASSM).





  • Ligue-lhe regularmente e encoraje-o a ligar também.
  • Mostre-se interessado e disponível para falar.
  • Mobilize pessoas próximas do cidadão sénior para lhe oferecer companhia, conforto e apoio, mesmo que à distância (podem, por exemplo, telefonar ou escrever).
  • Pode constituir uma fonte fundamental de bem-estar para o cidadão sénior sentir que há pessoas que se preocupam, que estão próximas e que estão disponíveis para o ajudar ao longo do dia.
  • Torne disponíveis e acessíveis meios de comunicação e tecnologias que possam facilitar a manutenção do contacto social entre o cidadão sénior e os seus amigos e familiares (por exemplo, videochamadas).
  • Perca algum tempo a garantir que o cidadão sénior aprende, se necessário, e se adapta a utilizá-los, uma vez que o isolamento pode levar ou aumentar sentimentos de ansiedade e stresse. Reforce as manifestações verbais de afeto.
  • Mostre ao cidadão sénior que o ama e que é amado. Procure ligar-lhe e tranquilizá-lo nessa altura ou proporcionar-lhe atividades calmas.
  • Monitorize o estado de saúde e de bem-estar do cidadão sénior com mais frequência – uma a duas vezes por dia. Esteja atento a sintomas de doença. Mesmo sintomas habituais, podem ter, nesta situação um significado diferente.
  • Em caso de dúvida ou alterações às condições de saúde habituais do cidadão sénior, ligue para 808 24 60 24 ou para o Médico de Família que conhece os problemas de saúde do cidadão sénior.
  • Garanta que o cidadão sénior toma a medicação prescrita para problemas de saúde já existentes.
  • Garanta que o cidadão sénior faz exercício físico (caminha pela casa, levanta-se várias vezes ao dia, realiza exercícios simples) e tem uma alimentação equilibrada.
  • Suspenda, temporariamente, as visitas a habitações, lares ou instituições onde residam cidadãos seniores, se entender preencher um dos critérios de risco ou existir possibilidade de infeção pelo COVID-19. Da mesma forma, evite o contacto presencial entre crianças e cidadãos seniores. Dada a sua vulnerabilidade, esta é uma forma importante de os proteger.
  • Se possível, atribua ao cidadão sénior contributos, tarefas ou responsabilidades que lhe permita sentir-se útil.
  • Agradeça-lhe o que está a fazer e recorde-o que está a proteger a comunidade em que vive, impedindo o vírus de se propagar, bem como que se está a proteger de potenciais contágios.
  • Proteja-se a si próprio e tire tempo para cuidar de si.

Fonte: World Health Organization (Tradução: Ordem dos Psicólogos Portugueses). Adaptação: Comissão Regional de Acompanhamento e Avaliação dos Serviços de Saúde Mental (CRAASSM).





As crianças e adolescentes (e sobretudo as que apresentam perturbações mentais/ do neurodesenvolvimento) espelham e/ou reagem de forma significativa ao comportamento dos seus cuidadores; nesse enquadramento será benéfico estes manterem uma postura calma a respeito da COVID-19 seguindo, antes de mais, as recomendações relativas à população geral.
Nem todas as crianças e adolescentes respondem ao stresse da mesma forma.
Algumas alterações que poderá observar serão:

  • Choro excessivo/ irritabilidade (em crianças mais novas)
  • Comportamentos regressivos (episódios de incontinência ou alterações nas rotinas do sono…)
  • Tristeza ou preocupação excessiva
  • Hábitos alimentares/ de sono pouco saudáveis
  • Irritabilidade ou acting out (em adolescentes)
  • Problemas de atenção e concentração
  • Desinteresse por atividades habitualmente prazerosas
  • Sintomas físicos (ex.: dores de cabeça) sem causa médica aparente

Poderá apoiar as crianças/ adolescentes se:

  • Reservar tempo para falarem acerca da pandemia. Responda às questões de forma simples, com fatos adaptados à idade/ patamar de desenvolvimento.
  • Adotar uma postura calma/ tranquilizadora, sublinhando à criança/ adolescente que se encontram em segurança; reconheça como válidas as suas preocupações e estados emocionais, encorajando a sua partilha. Aborde com eles a(s) forma(s) como lida com o seu próprio stresse, elaborando (colaborativamente) um plano -na ótica da família- para a presente situação.
  • Apesar da interrupção letiva, é recomendável manter rotinas (flexíveis) compreendendo atividades escolares e lúdicas, horários -consistentes- no acordar/ deitar, refeições -saudáveis- em família e atividade física.
  • Encorajar a criança/ adolescente a manter-se ativa, no interior da habitação e eventualmente no exterior (ex.: num quintal ou fazendo pequenos passeios higiénicos).
  • Estabelecer horários -e regras claras- para o tempo ocupado frente à televisão, com consolas e computadores, em jogos eletrónicos e redes sociais…
  • Limitar a exposição à cobertura mediática da COVID-19 – incluindo redes sociais. As crianças podem contactar com conteúdos que não compreendem e reagir com medo / ansiedade.
  • Atribuir tarefas ou responsabilidades que lhes permitam sentir-se úteis.
  • Promover contactos -não presenciais- com amigos e outras figuras significativas.

As crianças/ adolescentes deverão evitar o contacto -presencial- com populações vulneráveis (ex.: avós e familiares com doenças crónicas).
Caso tenha sido prescrita medicação psiquiátrica à criança/ adolescente, não interrompa a sua toma e – caso necessite de renovar de receituário ou se surgirem preocupações significativas acerca do quadro clínico – contacte o médico assistente (Médico de Família, Pedopsiquiatra ou Pediatra) pelos canais telefónicos habituais.

Fonte: Center for Disease Control and Prevention (Tradução e adaptação: CRAASSM).





As pessoas com perturbação mental estão mais vulneráveis a situações de stresse, traduzido num maior impacto emocional da presente situação de isolamento. Os familiares e pessoas próximas deste tipo de doentes têm, geralmente, um papel determinante no suporte que lhes é prestado, sendo necessário manterem-se saudáveis para poderem continuar a assegurar os cuidados. Deste modo, propomos um conjunto de medidas específicas que os familiares/cuidadores informais de pessoas com psicopatologia, poderão adotar em complemento às recomendações anteriormente apresentadas (para a população geral e idosa), para minimizar as consequências psicológicas/ desconforto emocional desta situação.

Prestação de apoio adequado à pessoa com doença mental
1. Assegure-se de que o doente recebe os cuidados de saúde mental habituais
1.1. Farmacoterapia

  • Assegure-se de que o doente continua a tomar a medicação prescrita.
    • Verifique o stock da medicação e, se necessário, apoie o doente na aquisição dos psicofármacos em falta cumprindo com as recomendações de prevenção da propagação do novo coronavírus (COVID-19).
    • Supervisione, se necessário, a toma da medicação da pessoa de quem cuida, para prevenir a ocorrência de crises provocadas pela interrupção do tratamento psicofarmacológico.

1.2. Consultas

  • Averigue a possibilidade da pessoa de quem cuida manter as consultas de psiquiatria e/ou psicologia, com a frequência recomendada, recorrendo a meios alternativos ao presencial (ex.: contato telefónico ou videochamada).
  • Existem muitos profissionais da área da saúde mental que, neste momento, continuam a disponibilizar os seus serviços, por exemplo através de teleconsulta.

1.3. Estar alerta para os sinais de recaída

  • Esteja atento(a) aos sintomas psicopatológicos da pessoa de quem cuida e ao seu eventual agravamento.

1.4. Solicitar ajuda profissional atempadamente

  • Caso perceba que a pessoa de quem cuida apresenta sinais de recaída, deverá solicitar, com brevidade, ajudada especializada de modo a prevenir o agravamento do estado de saúde mental do seu familiar/pessoa de quem cuida.
  • Em primeiro lugar, procure pedir apoio (por vias alternativas à presencial) ao(s) profissional(ais) de saúde que acompanham o doente. Caso não seja possível, não se dirija às urgências, contacte a linha telefónica 808 24 60 24 e siga as instruções que lhe forem dadas.

2. Promova um ambiente calmo e emocionalmente equilibrado

  • Reduza a exposição do doente a estímulos e a possíveis fontes de stresse.
    • Equilibre a exposição a conteúdos preocupantes (ex.: notícias, conversas).
    • Minimize as fontes de conflito interpessoal.
    • Reforce as atividades e estímulos já identificados como promotores de calma e bem-estar para o doente.
    • Mantenha-se disponível para prestar apoio emocional ao doente, por exemplo tranquilizando-o, escutando-o, revelando compreensão, empatia e oferecendo-lhe suporte.

3. Promova uma rotina estável

  • Apoie o doente na manutenção de rotinas equilibradas, garantindo horários adequados de sono, alimentação, ocupação e lazer.
  • Defina em conjunto com a pessoa de quem cuida um horário e ajude-o a cumpri-lo.
  • Garanta a ocupação da pessoa de quem cuida, visto ser um elemento central ao seu bem-estar mental.
  • Defina em conjunto com a pessoa de quem cuida tarefas diárias, incluindo atividades do interesse do doente.
  • Inclua nas rotinas espaço/ tempo para o convívio social salutar.
    • Promova atividades conjuntas prazerosas entre as pessoas que estão a cumprir o isolamento com o doente (ex.: jogos de tabuleiro, cartas ou outros, visionamento de filmes com conteúdos leves).
    • Mantenha, remotamente (ex.: telefone, videochamada), os contactos com outras pessoas próximas (familiares e amigos).
  • Promova períodos de atividade física.
    • Ajude ao doente a encontrar formas que lhe pareçam interessantes de praticar exercício físico dentro das atuais restrições.
  • Incentive à realização de atividade cognitivamente estimulantes para preservar as faculdades mentais (ex.: leitura, escrita, puzzles, exercícios de lógica matemática, jogos “quebra-cabeça”).

4. Assegure que o doente mantém uma alimentação saudável e equilibrada.

5. Previna comportamentos desajustados como o consumo excessivo de álcool ou outras substâncias psicoativas.





A prestação de apoio informal a uma pessoa com psicopatologia poderá ser muito exigente, especialmente nesta fase de contingência. Assim, recomendamos que tenha um cuidado especial para consigo mesmo de modo a salvaguardar a sua própria saúde e a sua capacidade de cuidar do doente.

1. Cumpra as recomendações gerais da Organização Mundial de Saúde e da Ordem dos Psicólogos Portugueses para lidar com o stresse durante o surto de COVID-19 anteriormente referidas.

2. Garanta períodos de descanso do processo de prestação de cuidado ao doente

  • Partilhe com alguém de algumas responsabilidades e tarefas de cuidado e prestação de apoio ao doente.
  • Procure reservar tempo para si, onde poderá fazer atividades que gosta não relacionadas com a prestação de cuidados ao outro.

3. Reforce atividades saudáveis, especialmente, as que já identificou serem eficazes na promoção do seu autocuidado e bem-estar.

4. Recorra às suas estratégias pessoais para enfrentar situações difíceis/desafiantes (estratégias de coping).





Tomar conta de si e encorajar outros a fazê-lo, sustenta a sua capacidade de cuidar daqueles que mais precisam.

Sentir-se stressado é uma experiência que muitos profissionais de saúde estão provavelmente a vivenciar neste momento. De facto, é bastante normal sentir-se assim na situação atual. Pode achar que não está a fazer um bom trabalho e que existe uma elevada exigência e novas pressões adicionais, incluindo a necessidade de seguimento de procedimentos rigorosos de saúde e segurança ocupacional.

O stresse e sentimentos associados não são, de forma alguma, um reflexo de que não é capaz de fazer o seu trabalho e/ou é fraco, mesmo que se sinta assim. De facto, o stresse pode ser útil. Neste momento, essa sensação pode estar a incentivá-lo no seu trabalho e fornece uma sensação de propósito. Gerir o stresse e bem-estar psicossocial durante este período é tão importante quanto gerir a sua saúde física.

  • Cuide das suas necessidades básicas e use estratégias de coping úteis – descanse adequadamente e faça pausas entre turnos, tenha uma alimentação equilibrada e saudável, pratique atividade física e mantenha contato com familiares e amigos.
  • Evite estratégias inúteis, como o recurso a tabaco, álcool ou outras drogas.
  • Infelizmente, alguns trabalhadores podem sofrer discriminação por parte da família ou comunidade devido ao estigma associado à COVID-19. Isso pode transformar uma situação, já de si desafiadora, numa muito mais difícil. Se possível, fique conectado com os seus entes queridos através de meios digitais. Volte-se para colegas e outras pessoas de confiança para suporte social – os seus colegas podem ter experiências semelhantes a partilhar.
  • Este é, provavelmente, um cenário único e sem precedentes para muitos trabalhadores, particularmente se nunca estiveram envolvidos previamente em situações semelhantes. Mesmo assim, utilizar estratégias que lhe foram úteis no passado para gerir períodos de stresse diferentes pode ser benéfico.
  • Se o stresse piorar e se sentir sobrecarregado, não se sinta culpado. Todos o experienciam e lidam com isso de maneiras diferentes. Pressões antigas e atuais na sua vida pessoal podem afetar o seu bem-estar mental no seu quotidiano laboral. Pode notar mudanças na forma como trabalha, no humor, sensação de irritabilidade ou ansiedade exacerbadas, sentir-se cronicamente esgotado, parecer mais difícil relaxar durante os períodos de descanso ou ter queixas físicas inexplicáveis.
  • O stresse crónico pode afetar o seu bem-estar mental e o seu trabalho, e pode continuar mesmo depois da melhoria da situação. Se o stresse se tornar esmagador, entre em contato com o seu líder ou outra pessoa apropriada para garantir que você esteja apoiado com o suporte necessário e apropriado.

Fonte: Inter-Agency Standing Committee. Tradução e adaptação: CRAASSM.





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